segunda-feira, junho 20, 2005

Há Dúvidas?



É verdade: À uns tempos atrás escrevi um e-mail ao manager dos Ena Pá 2000/Irmãos Catita e Corações de Atum, a pedir basicamente mais um concerto no Porto - de preferência no Maus Hábitos. Ele respondeu-me que eles gostam bastante de cá vir, mas para isso convinha que o Maus Hábitos os contactasse. Ora na remota eventualidade que alguém que leia estas linhas se ache com confiança para o fazer, faça então favor.

domingo, junho 19, 2005

Aspirina Efervescente

Saiba o caro leitor que me contradigo muitas vezes. Admito-o. Mas apraz-me observar que algumas situações críticas já não me fazem sentir ardores no estômago como em outros tempos. Sou como aquelas aspirinas efervescentes depois de um minuto no copo de água. O visitar esse blog Irmandade Negra é como um teste Voight-Kampf ao meu carácter - se sou realmente humano, no sentido quase Cristão da palavra. Consigo delinear um texto atroz, claramente racista - utilizando palavras como "cafre", "barrete vermelho", "escravo", "3º mundo" e "terrorista" "colonial", mas o conteúdo não me transmite nenhum prazer. Sou como a Lady Galadriel, na soberba adaptação do Peter Jackson d'As Duas Torres do Tolkien. Vejo o Anel à mão de semear, sinto a sua sedução, imagino o que poderia ter sido, mas não me deixo corromper. É que para mim a Europa vai de Lisboa a Tânger, a Tunes, vai pelas ruínas cobertas de areia de Cartago, pelos desertos da Líbia, pelo Cairo, por Tel-Aviv, pelas ruínas de Persépolis, queimada por Alexandre, pelo Tigre e pelo Eufrates, volta com uma onda beijar as ruínas de Tróia na Ásia Menor, passa por Constantinopla, pela Grécia berço de civilizações, pela península Itálica, pátria da Latinidade - por terras Celtas dos Gauleses e Anglos, pelos terras dos Godos para lá do Reno, para o Norte e Leste, terras dos homens do norte, para o Báltico dos eslavos. Cresci de certa forma, separei-me de conceitos de "raças". Nós os portugueses, latinos, com sangue godo e árabe nas veias, talvez os mais negros dos brancos, somos quem tem de dar o exemplo.

Debate

Mais uma vez vou transformar uma resposta a uma resposta a um post num post (que frase mais confusa!). Está a tornar-se um hábito... LOL

Antes de mais o facto de responder ao comentário do nosso leitor anónimo não é nada de extraordinário em si mesmo... Não há necessidade de me agradecer, embora creio que o tenha feito em tom irónico. Mas em frente... Nós gostamos do diálogo. Só assim se justifica ter sido possibilitado aos nossos leitores a possibilidade de comentar os posts. Eu acho que o nosso blog pode ser utilizado para estas discussões de ideias. Creio que o que o meu colega F.S. queria dizer era que não haveria necessidade e que não gostariamos de ver as discussões entrarem pelo campo exclusivamente político, que por vezes, de tão compartimentado ser, impede o livre debate das ideias que tão frequentemente a política diz defender. Este blog começou por ser um espaço onde poderíamos exprimir uma ou outra piada ou comentário, mas que eventualmente evoluiu para um local de publicação de ideias com um tom um pouco mais sério. Mas continua a servir o objectivo inicial, se bem que agora com mais uma finalidade extra. Apenas isso... Reafirmo o convite do meu colega a escreverem aqui os vossos comentários.

Quanto ao título "Terreno minado" era uma analogia que utilizei e que se referia à sensibilidade necessária quando se trata deste tipo de situações e em assuntos relativos à liberdade de expressão.

De facto o blog irmandadenegra.blogspot.com é extremamente lamentável... Mais um exemplo da ignorância que existe em todo o lado!

Um abraço

sexta-feira, junho 17, 2005

Terreno minado!

Este texto começou por ser a resposta a um comentário escrito por um nosso leitor anónimo, a propósito do post "Cuidado" do meu colega Slinkman. Devido à extensão do texto resolvi transformá-lo num post.

"Sim, existe ignorância em ambos os extremos o espectro político. Concordo que o facto dos problemas de criminalidade ligados com a imigração passam pelo facto de não existirem actualmente meios para poderem ser dadas condições decentes básicas a todos. Porventura um controlo melhor da imigração, em termos de legalizações e condições de vida seria mais eficaz para a prevenção deste tipo de acontecimentos. Mas não devemos olhar para todos os imigrantes e descendentes de imigrantes de forma igual. Tal como existem "portugueses de gema" ligados à criminalidade e outros que são cidadãos cumpridores da lei, o mesmo se passará com os imigrantes e seus descendentes. Agora, por outro lado é de condenar as manifestações de racismo e xenofobia, que não são baseadas na insegurança, mas que a usam como desculpa para exprimir sentimentos de ódio para com as outras etnias. O direito de expressão é condicionado e regulamentado com base em pressupostos legais para evitar que um direito fundamental se transforme numa ferramenta de opressão e insulto, e até potencial causador de distúrbios! Como se costuma dizer: A tua liberdade acaba onde começa a minha. Há que usar o direito de expressão de forma justa e sensata, de modo a não desperdiçar um valioso recurso da democracia e liberdade."

quinta-feira, junho 16, 2005

E por falar em caceteiros...

Um senhor madeirense, com apelido igual ao Caceteiro-mor da ilha, e que tem pretensões de conhecedor de música, veio, há tempos, em entrevista, dizer que o músico que mais despreza é o Sérgio Godinho, e apontou como razão principal a conjugação dos acordes das suas músicas.
Esse senhor, convidado para juiz (por um motivo qualquer, não me agrada a palavra "juri") de um programa de gosto duvidoso que pretendia encontrar pessoas com pretensões a artistas "pop", é bem o exemplo do facilitismo aportuguesado, cruzado com a urgência consumista em alimentar gente insatisfeita e ávida por tudo o que é novidade, que se contenta com indivíduos meteóricos, de carreiras meteóricas e efémeras.
Compreendo Luís Jardim. Ele, afinal, é o anti-Godinho. Porque este sempre se bateu contra o consumismo, sempre se importou mais com a mensagem que a sua música veicula do que propriamente com as vendas, sempre esteve na vanguarda da estética, da inovação, nunca esquecendo as origens da música portuguesa nem a luta do Povo por um País melhor e mais justo. Aquele, é o patrão de uma equipa de fabricadores de sonhos fáceis e desilusórios. É um explorador do trabalho dos artistas, alguns dos quais de grande valor, mas aferrolhados pelo "mainstream" e pelo lucro.
Sérgio Godinho tem uma carreira ímpar de muitos anos, como músico, como intervencionista, como "Cantor Maldito". Foi perseguido pelos verdugos do fascismo, por cantar como canta, por cantar o que canta, por acreditar numa sociedade diferente daquela que o calou, a ele e a muitos outros, e que o votou ao exílio.
Não sei até que ponto serão apenas os ditos "acordes" do Godinho que tanto irritam o Sr. Jardim. Porque os gostos não se discutem: lamentam-se.
Já as ideologias, essas, discutem-se, e é bom que sejam discutidas, porque delas há que não têm outra base de sustentação senão a exploração de muitos para o benefício de muito poucos.

Por falar no Godinho, está para breve um post a duas mãos, com meu caro amigo F.S., sobre o concerto de Fausto Bordalo Dias no Coliseu do Porto, e o seu último trabalho, "A Ópera Mágica do Cantor Maldito", editado há ano e meio. Aguardai!

Cuidado

Não é que eu costume dar muita importância a estas coisas, até porque quanto menos delas se fala, menos alguem as considera. Mas o ambiente das urbes inflama em tensões sociais nunca antes vistas, e para alguns, a culpa é sempre do mais fraco e indefeso, ou da vítima.
Os nazi-fascistas, ou patrioteiros/nacionalistas de Lisboa, querem promover uma manifestação que visa, como de costume, os "pretos" e as suas endemoninhadas actividades ilícitas, com destaque para o "arrastão" de Carcavelos.
Além dos descendentes de africanos, a manifestação visa marcar posição contra a imigração, que estes caceteiros relacionam directamente com o desemprego. Se esses párias ignorantes soubessem o que sofreram os portugueses que, em tempos mais difíceis, fizeram a diáspora por esse mundo fora, ajudando a construir riqueza e desenvolvimento, teriam absoluta vergonha dos seus actos e palavras e remetiam-se à sua insignificância.
Esta tensão não é devida à raça, à etnia, à cor. É devida à cidade e à sua artificialidade ambiental, à sua tensão desumanizante de parte a parte.
O Homo sapiens quando é violento, é-o porque não consegue resolver a tensão de viver num ambiente diferente daquele em que evoluíu. E a violência só surge quando um não consegue rever no outro a identidade do Ser Humano.
Já é altura de estudar melhor o fenómeno sociobiológico das cidades, de compreender o porquê das tensões urbanas e da violência. Só assim se pode puxar o tapete debaixo dos pés dos ignorantes extremistas.

quarta-feira, junho 15, 2005

Rio

Ora parece que a portuguesa mais brasileira do momento, Fátima Felgueiras, se quer candidatar à Câmara de Felgueiras. Até aí estaria tudo bem. Eu também desejo ser um Champa-limão dos tempos modernos. Sonhar não magoa ninguém. O que magoa, e depois de termos aqui falado dos lobos Amaratinos a viajarem de helicóptero e a prometerem votar no ex-presidente da Câmara do Marco de Canavezes, o Avelino Ferreira Torres, parece que um grupo de boçais de Felgueiras lhes quer imitar a estupidez. E não se contentam em igualá-la, não. Eles tentam passar para além das fronteiras do bom senso e reunir o número de assinaturas necessário a que a nossa Fatinha se volte a candidatar. Mas estando ela como o Ronnie Biggs esteve, sendo uma fugitiva à justiça, como pode ser ela candidata? Ora pelos vistos pode. Alguns doutos afirmam que não. Eu cá acho que devia poder - assim abria-se a porta do Inferno durante 90 dias de eleições, e tinhamos um Carnaval como deve ser, à Brasil! Imagine o caro leitor, o Carlos Cruz concorrendo à Câmara de Elvas ou o Padre Frederico e o Farfalha a lutarem por um lugar em Ponta Delgada. E tudo isto com imunidade sublinhada na Constituição!

Doí-me que o povo Português continue vítima de políticos populistas, que atiram um osso ao proverbial Zé Povinho enquanto se "orientam" com o bolso dele.

segunda-feira, junho 13, 2005

Adeus

Nestes últimos dias cinzentos, vimos partir o Companheiro, o Camarada e o Poeta...

Os três serão recordados com saudade e agradecimento por tudo que nos deram... Que tenham agora o merecido descanso, para que outros peguem nas suas heranças e delas continuem a retirar tudo o quanto de bom pode ser aproveitado.

Um adeus sentido...

terça-feira, junho 07, 2005

Qual meteorito, quais dinossauros!!!

António Borges, economista afecto ao PSD, quando interrogado quanto à polémica das pensões acumuladas com o salário do ministro Campos e Cunha, apressou-se a defender o "colega" com a seguinte interrogação:

"Não me digam que é preciso ser pobre para ser governante?"

Aí está... Pelos vistos o mísero salário de Campos e Cunha (que deverá ascender a cerca de 7000 euros/mês) não é suficiente para um trabalhor árduo (que deve trabalhar cerca de 52 horas por dia e ainda arranjar tempo para esbanjar muito guito por mês!!) como ministro sobreviver! Para sobreviver necessita acumular uma pensão de valor semelhante, conseguindo assim uma remuneração mensal de 15000 euros. Creio que isto não engloba o carro, motorista, segurança e outras ajudas de custo que o facto de pertencer ao governo lhe proporciona.

Assim está garantido que a esmagadora maioria da população portuguesa, que não consegue auferir mensalmente o mesmo que Campos e Cunha (cerca de 40 vezes o salário mínimo nacional) irá ser exterminada.

Será este o Juízo Final previsto na Bíblia?

quinta-feira, junho 02, 2005

Para servir o Povo!

Está provado que o motivo que leva as pessoas a perseguir uma carreira política, e a concorrer a um lugar num governo ou instituição pública, está longe de ser a vontade de servir o povo.

Não é novidade nenhuma, mas é cada vez mais uma realidade comprovada.

A prová-lo temos a recente "reforma" de Alberto João Jardim, senhor Presidente do Governo Autónomo da Madeira, a partir de Junho ou Julho, que lhe irá render mais de 4 mil euros por mês. Bem mais de 800 contos na moeda antiga. Tirando o facto de ser uma pensão pobrezinha, que irá proporcionar ao senhor uma vida humilde como à generalidade dos reformados portugueses, temos a agravante de este senhor continuar a exercer funções durante mais 3 anos e meio de mandato e, como tal, continuar a auferir o seu "mísero" ordenado!

Isto leva-me a propôr um anúncio nas páginas dos classificados dos jornais:

"PROCURA-SE

Moral dos políticos portugueses.
Desaparecida há longos anos, pensa-se encontrar-se em
bom estado (como nova) devido ao pouco uso que terá tido.

Não se prometem alvíssaras pois os nossos bolsos estão vazios.
Promete-se o agradecimento eterno do Povo Português."