domingo, junho 08, 2008

Estamos vivos!

Há pessoas que lêem o nosso blog. Ontem tivemos um comentário a um post de Fevereiro de 2005.

quarta-feira, junho 04, 2008

Não por decreto!

"Palavras cria-as o tempo e o tempo as mata..."

José Cardoso Pires, in "O Delfim"

A perversão básica do novo acordo ortográfico está no facto de que é a maneira como se fala que condicionará a maneira como se escreve. Assim tem sido ao longo de todo o desenvolvimento das línguas e dialectos. Os portugueses pariram o português da mistura do latim com o suevo e com o árabe e sabe-se lá que mais palreares que por aqui pulularam em tempos idos. Passámos a escrever em português porque o latim, morto e enterrado, começava a ser língua snob a tresandar a sacristia.

O português soube mudar por si só, vivo e arisco, somando-se de novos vocábulos, mudando as letras ao sabor do marear da fala. Perdemos pê-agás de pharmácia depois de termos desusado a botica. Reinventámo-nos nos irrealismos de África quando os ritmados irmãos dançaram com as nossas línguas e nos deram novos mundos, que abalaram para o Brasil e aí fundaram a nação das nações do português.

Mas nós aqui vivemos no rectângulo do Eça. Do Pessoa e do Camões. Do Ary, do Eugénio, do Saramago. Nós aqui mudamos a nossa própria língua quando ano após ano, uma nova palavra, nova maneira de escrever, começa a pular de boca em boca, de folha em folha, de teclado em teclado, saindo para o meio da rua como o povo em vésperas de São João.

Temo, com um temor de expatriado, que ao ser decretada uma nova e estranha língua, seja ela a ditar como nós falaremos ao invés de sermos nós a deixar que ela mude.

Não hei-de escrever as minhas caras ou baratas palavras de forma diversa do que faço agora, se isso me for imposto por decreto. A minha pátria é a Língua Portuguesa, e dela não abdico por uma ditadura de ímpios e estranhos contornos economicistas.

Venham acordos e decretos, que cá estarei de facto. Venham novos correctores ortográficos subverter os computadores, que penas, lápis, aparas, o botão direito do rato e a opção "ignorar" cá estarão para lhes fazer frente. Comigo, o novo acordo não passará.

Mudarei o que falo e o que escrevo quando a Língua, viva e livre, assim o decidir, e nunca deixarei que ela parta agrilhoada num navio negreiro para o Brasil.

quinta-feira, maio 29, 2008

Mais uma jogada suja


Tudo bem que devemos cumprir metas na redução de dióxido de carbono, evitar poluentes e melhorar a qualidade do ar nas nossas cidades. Mas não à custa do empobrecimento de todos nós, da míngua da economia e, claro está, do enriquecimento dos barões das petrolíferas à giza de especulação.

Por isso acha o Governo, e muito bem, que não deve interferir nos preços ao reduzir os impostos. Não é de taxas que se fazem os preços destes produtos, mas sim de pura demagogia financeira.

A mim não me apanham mais a abastecer nas bombas dos três grandes mafiosos.

quarta-feira, maio 07, 2008

Futuro em chamas

Mais uma vez, no cortejo da queima do Porto, a tónica dominante das sátiras estudantis foi a falta de empregos que espera os recém-licenciados. Via o cortejo junto do magistral edifício da Reitoria, onde ainda vigora o Departamento de Zoologia e Antropologia da Faculdade de Ciências, que tantos anos lá passei. Uma parte do telhado do edifício abateu-se sobre os laboratórios, gabinetes e biblioteca do Departamento devido ao incêndio de segunda-feira passada. Alguns investigadores perderam meses, senão anos de trabalhos de investigação. As arcas congeladoras com material biológico, por exemplo, ficaram danificadas. Tudo isto num Departamento que, no ano passado, devido a cortes orçamentais, ficou com um orçamento tão ridículo que nem dava para comprar um computador, segundo confissões de um responsável.
A Faculdade de Ciências tem um ensino e uma investigação de excelência no nosso País e na Europa. Mesmo assim, os seus formandos não têm escoamento no mercado de trabalho. Que o diga o nosso digno conchapelista horned_dog. E, a meu ver, não é devido ao excesso de profissionais formados pela Faculdade, mas mais devido à grande falta de interesse e investimento por parte de sucessivos Governos em quadros técnicos e científicos. De outra forma, esses mesmos quadros não teriam sucesso no estrangeiro.
O corso da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação levou uma tónica diferente ao cortejo. "Traz o teu lego para construirmos a nossa faculdade". A funcionar desde a sua fundação em dois esquálidos barracões pré-fabricados, esta instituição também de excelência, cuja taxa de empregabilidade é das maiores do País, tem um projecto de novas e dignas instalações aprovado há anos, com maquete (que tem servido de paisagem para o presépio de Natal) e terreno. Mas os seus trabalhadores e alunos têm que suportar um frio enregelante no Inverno, um calor sufocante no Verão, a crónica falta de espaço e a ausência de um bar ou refeitório, o que numa instituição que estuda as questões e problemas da alimentação, torna-se tão mais escandaloso quão despropositadas são as máquinas de vending instaladas na sala de convívio.
Algo está mal na maior, melhor e mais dinâmica academia do País.

domingo, abril 27, 2008

Más influências

Com vergonha aqui a anuncio que as más companhias podem de facto estragar uma pessoa. E que eu próprio sucumbi a este fenómeno. Vou deixar-vos aqui um exemplo simples: ontem, eu próprio, fiz jogging de manhã, fui às compras de tarde - de bicicleta - e à noite, por ocasião dum acontecimento que se chama a "Noite dos Museus", visitei dois deste terríveis locais.

É assustador. Sinto-me sujo!

Para compensar isto, hoje tenho de passar o dia a ver pornografia na net, comer toneladas de chocolate, feijão e coiratos (não necessariamente por esta ordem) e coçar os tomates.

sábado, abril 12, 2008

6ª Mostra da UP


Já decorre a 6ª mostra da maior universidade do País. A do Porto, claro. Termina amanhã e hoje está aberta até às 23:00. Tudo o que se passa na UP, este ano nas instalações da FADEUP (ex FCDEF), no polo da Asprela (traseiras do Hospital de São João).

Jardim Botânico

Naquelas manhãs em que quase não chove, alguns raios de sol espreitam por entre a canópia e refulgem no verdejante tapete do Jardim Botânico do Porto. É sempre um local aprazível, de grande paz e beleza.



Instalado na Quinta dos Andresen, casa mítica que pertenceu às vivências da Sophia, o Jardim Botânico do Porto é pertença da Faculdade de Ciências e lá funciona o Departamento de Botânica, que, entre outras áreas, desenvolve projectos de ensino e investigação em Biotecnologia, Conservação, Didáctica, Taxonomia...

A não perder o jardim das suculentas, o bosque de gimnospérmicas, o roseiral, presentemente em recuperação, o jardim dos jotas, os lagos e, claro, o imponente interior do palacete.

Um local para regressar, sempre e sempre!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Haka Barrosã

Homenagem às bravas gentes do Barroso!



Queria ver os All Blacks a meterem-se com um grupo destes de transmontanos de fibra!

Há tchouriça!!!

domingo, fevereiro 10, 2008

???

Enviaram-me este vídeo por e-mail. Mas não lhe consegui achar piada. Curiosamente só tive pena. Muita pena do pobre homem.



Será que me estou a transformar num ser humano decente?!

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Outlandos d'Amour

Na Europa comunitária do séc. XXI há um novo tipo de emigrante - o emigrante que não emigra por falta de condições políticas, económicas e sociais no seu país de origem. A este tipo de emigração gosto de chamar Outlandos d'Amour, tal como título do 1º álbum dos britânicos The Police: Outlando de "outlander" (estrangeiro, estranho) e d'amour porque estes se movem por essa Europa por causa de amor.

A mais um amigo que está prestes a se tornar um deles aqui lhe deixo a letra de uma música do Fausto Bordalo Dias, aquando da sua também "peregrinação" europeia no "Para além das cordilheiras":

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Boa sorte amigo.