Dedicado a todos os consumidores que esbarram com um produto electrónico que nos faz ganhar cabelos brancos, com cada utilização...
Sony Releases New Stupid Piece Of Shit That Doesn't Fucking Work
terça-feira, fevereiro 10, 2009
quinta-feira, novembro 06, 2008
Voltei à escola
Após um interregno de quase cinco anos, voltei a trabalhar numa escola pública. O que encontrei é radicalmente diferente do que deixei. De facto, este governo e esta ministra estão a destruir o sistema educativo português e a transformar a educação num conjunto de estatísticas para Bruxelas acenar e sorrir.
A malfadada avaliação de professores é ridícula e abriu o fosso entre a classe, instalando uma névoa espessa que tolda o entendimento de cada um e que os transforma ("os", porque aquele não é o meu mundo) em infelizes burocratas que anseiam a reforma para fugir para bem longe daquele pesadelo.
Não vejo muitas soluções a não ser a "luta armada" contra este autoritarismo desmedido, que ameaça corromper um dos mais importantes pilares da Democracia e garante da Liberdade que é a Educação.
Ou se luta, ou se abraça carinhosamente a esquálida ministra e se dá boas notas aos meninos, para entrar no jogo sórdido de interesses e números que o Governo pretende que seja o sistema educativo, evitando assim longas tormentas e ludibriando a avaliação dos professores às custas de o fazer com a dos alunos.
A malfadada avaliação de professores é ridícula e abriu o fosso entre a classe, instalando uma névoa espessa que tolda o entendimento de cada um e que os transforma ("os", porque aquele não é o meu mundo) em infelizes burocratas que anseiam a reforma para fugir para bem longe daquele pesadelo.
Não vejo muitas soluções a não ser a "luta armada" contra este autoritarismo desmedido, que ameaça corromper um dos mais importantes pilares da Democracia e garante da Liberdade que é a Educação.
Ou se luta, ou se abraça carinhosamente a esquálida ministra e se dá boas notas aos meninos, para entrar no jogo sórdido de interesses e números que o Governo pretende que seja o sistema educativo, evitando assim longas tormentas e ludibriando a avaliação dos professores às custas de o fazer com a dos alunos.
segunda-feira, julho 14, 2008
Infecções e perfuração de órgãos diminuíram com nova lei do aborto
«As infecções e a perfuração de órgãos associadas ao aborto clandestino diminuíram em mais de metade desde que a lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) entrou em vigor há um ano, disse o director-geral da saúde. A propósito do primeiro ano da aplicação da lei que permite a IVG até às dez semanas, cuja regulamentação entrou em vigor a 15 de Julho de 2007, Francisco George considerou que estes dados revelam que «a lei é boa e protege as mulheres»
in Público (fonte: Lusa)
Seus ratos de sacristia, suas beatas naftalínicas, seus Priores, Curas, Abades, Diáconos, Leigos. Suas alimárias do CDS/PP, ponham os olhos nisto! É isto que a lei veio a evitar. São as primeiras provas concretas dos benefícios de um enquadramento legar mais justo para as mulheres portuguesas. Se mesmo assim achais que não, como é vosso apanágio, é apenas a prova concreta da vossa proverbial estupidez.
Não se tratam de pequenas afecções, mas sim de infecções e perfurações de órgãos que, em grande parte dos casos, levam à morte! E tudo isto era provocado pelas parteiras de vão-de-escada. Infecções resultantes de condições de assépsia inexistentes. Perfurações de órgãos da cavidade pélvica e abdominal resultantes da manipulação mecânica da cavidade uterina por via de "sondas" com que as ditas parteiras/assassinas logravam destruir os fetos. "Sondas" que, como está reportado, podiam ser, por exemplo, agulhas de croché e outros objectos contundentes. Era isto que se passava em grande escala antes da lei que veio trazer Portugal, neste aspecto, para fora da Idade das Trevas com que o cunho salazarista e cerejeirista nos remeteram.
Mas vós que queríeis negar a liberdade de uma mulher se decidir pelo aborto sem ser criminalizada por isso, queríeis, peremptoriamente, lucidamente, concretamente, colocar estas mulheres em risco de vida.
Para ver, a declaração de Francisco George no Público.
in Público (fonte: Lusa)
Seus ratos de sacristia, suas beatas naftalínicas, seus Priores, Curas, Abades, Diáconos, Leigos. Suas alimárias do CDS/PP, ponham os olhos nisto! É isto que a lei veio a evitar. São as primeiras provas concretas dos benefícios de um enquadramento legar mais justo para as mulheres portuguesas. Se mesmo assim achais que não, como é vosso apanágio, é apenas a prova concreta da vossa proverbial estupidez.
Não se tratam de pequenas afecções, mas sim de infecções e perfurações de órgãos que, em grande parte dos casos, levam à morte! E tudo isto era provocado pelas parteiras de vão-de-escada. Infecções resultantes de condições de assépsia inexistentes. Perfurações de órgãos da cavidade pélvica e abdominal resultantes da manipulação mecânica da cavidade uterina por via de "sondas" com que as ditas parteiras/assassinas logravam destruir os fetos. "Sondas" que, como está reportado, podiam ser, por exemplo, agulhas de croché e outros objectos contundentes. Era isto que se passava em grande escala antes da lei que veio trazer Portugal, neste aspecto, para fora da Idade das Trevas com que o cunho salazarista e cerejeirista nos remeteram.
Mas vós que queríeis negar a liberdade de uma mulher se decidir pelo aborto sem ser criminalizada por isso, queríeis, peremptoriamente, lucidamente, concretamente, colocar estas mulheres em risco de vida.
A prova que sois negligentes, que sois insensíveis, que apenas vos interessais pelo vosso próprio bem, ao contrário dos ideais cristãos que apregoais à boca cheia. A prova de que sois hipócritas.
Para ver, a declaração de Francisco George no Público.
domingo, julho 13, 2008
Férias, enfim!
Vamos de férias, por isso não se admirem que os posts neste vosso blog diminuam drasticamente de frequência.
quinta-feira, julho 03, 2008
Ingrid Betancourt libertada finalmente!
Notícia do Público:
02.07.2008 - 20h26 PÚBLICO, Agências
Ingrid Betancourt e três reféns norte-americanos há vários anos em poder da guerrilha das FARC foram resgatados pelo Exército colombiano, anunciou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. O responsável revelou que outros 11 militares foram também libertados nesta operação.
Segundo o responsável, a operação helitransportada foi realizada na província de Guaviare, no Sudeste da Colômbia, um dos principais bastiões das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Manuel Santos adiantou que o estado de saúde dos 15 resgatados é considerado "razoável" tendo em conta os anos passados em cativeiro, em situações muito adversas na selva tropical.
Betancourt, que detém dupla nacionalidade francesa e colombiana, foi sequestrada em Fevereiro de 2002, quando fazia campanha para as presidenciais que viriam a ser ganhas pelo actual Presidente, o conservador Álvaro Uribe.
Desde então foram feitas várias tentativas para conseguir a sua libertação, a última das quais promovida, no início deste ano, pelo Presidente venezuelano, Hugo Chávez. Mas os contactos com as FARC tornaram-se mais difíceis depois de Raul Reys, o “número dois” da guerrilha, ter sido abatido numa operação do Exército colombiano no vizinho Equador, em Março passado.
Por essa altura, as notícias davam conta que a antiga senadora se encontrava gravemente doente e que teria mesmo sido levada pelos guerrilheiros a postos médicos em zonas isoladas – notícias que a guerrilha nunca confirmou. No último vídeo divulgado pelas FARC, no final de 2007, Ingrid surgia muito magra e apática, reforçando os receios pela sua saúde.
Os três americanos em poder da guerrilha – Thomas Howes, Keith Stansell e o lusodescendente Marc Gonçalves – foram capturados em 2003, depois de o avião em que seguiam se ter despenhado na selva, durante uma operação de combate ao narcotráfico promovida pelo Departamento de Defesa dos EUA, em colaboração com as autoridades colombianas.
O ministro da Defesa revelou ainda que os 11 militares resgatados são, na sua maioria, oficiais e como tal integravam o grupo de 40 reféns que as FARC admitiam libertar em troca de 500 guerrilheiros detidos nas prisões de Bogotá.
Operação "audaciosa"
Há vários anos que os militares colombianos tentavam resgatar Betancourt e os quatro americanos, os mais conhecidos das centenas de reféns em poder da guerrilha, apesar dos apelos de familiares e dirigentes estrangeiros que alertavam para os riscos de uma operação deste género.
Esta tarde, numa conferência de imprensa convocada pouco antes, Juan Manuel Santos surpreendeu todos ao anunciar a libertação dos reféns "numa operação militar durante a qual foi possível infiltrar o primeiro círculo das FARC, aquele que durante os últimos anos vigiou um importante grupo de reféns".
O ministro explicou que os reféns estão divididos em três grupos, pelo que o Exército, graças a agentes infiltrados, fez passar uma mensagem de que Alfonso Cano, o novo líder das FARC, ordenara que os reféns fossem levados à sua presença e que para isso deveriam ser reunidos num determinado ponto de Guaviare.
Um helicóptero militar camuflado, com agentes dos serviços secretos militares a bordo, deslocou-se depois para o local de reunião, com o pretexto de recolher os reféns. Os guerrilheiros que acompanhavam os detidos "foram imediatamente neutralizados", incluindo um operacional conhecido como "César", alegadamente o chefe dos carcereiros.
O responsável garantiu que não foi efectuado qualquer disparo e que, em nenhum momento da operação, a segurança dos reféns foi posta em causa.
Não poupando elogios aos seus efectivos, o ministro da Defesa afirmou que esta foi uma operação "sem precedentes" que "ficará na história "pela sua audácia e eficácia".
(Última actualização às 22h51)
Segundo o responsável, a operação helitransportada foi realizada na província de Guaviare, no Sudeste da Colômbia, um dos principais bastiões das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Manuel Santos adiantou que o estado de saúde dos 15 resgatados é considerado "razoável" tendo em conta os anos passados em cativeiro, em situações muito adversas na selva tropical.
Betancourt, que detém dupla nacionalidade francesa e colombiana, foi sequestrada em Fevereiro de 2002, quando fazia campanha para as presidenciais que viriam a ser ganhas pelo actual Presidente, o conservador Álvaro Uribe.
Desde então foram feitas várias tentativas para conseguir a sua libertação, a última das quais promovida, no início deste ano, pelo Presidente venezuelano, Hugo Chávez. Mas os contactos com as FARC tornaram-se mais difíceis depois de Raul Reys, o “número dois” da guerrilha, ter sido abatido numa operação do Exército colombiano no vizinho Equador, em Março passado.
Por essa altura, as notícias davam conta que a antiga senadora se encontrava gravemente doente e que teria mesmo sido levada pelos guerrilheiros a postos médicos em zonas isoladas – notícias que a guerrilha nunca confirmou. No último vídeo divulgado pelas FARC, no final de 2007, Ingrid surgia muito magra e apática, reforçando os receios pela sua saúde.
Os três americanos em poder da guerrilha – Thomas Howes, Keith Stansell e o lusodescendente Marc Gonçalves – foram capturados em 2003, depois de o avião em que seguiam se ter despenhado na selva, durante uma operação de combate ao narcotráfico promovida pelo Departamento de Defesa dos EUA, em colaboração com as autoridades colombianas.
O ministro da Defesa revelou ainda que os 11 militares resgatados são, na sua maioria, oficiais e como tal integravam o grupo de 40 reféns que as FARC admitiam libertar em troca de 500 guerrilheiros detidos nas prisões de Bogotá.
Operação "audaciosa"
Há vários anos que os militares colombianos tentavam resgatar Betancourt e os quatro americanos, os mais conhecidos das centenas de reféns em poder da guerrilha, apesar dos apelos de familiares e dirigentes estrangeiros que alertavam para os riscos de uma operação deste género.
Esta tarde, numa conferência de imprensa convocada pouco antes, Juan Manuel Santos surpreendeu todos ao anunciar a libertação dos reféns "numa operação militar durante a qual foi possível infiltrar o primeiro círculo das FARC, aquele que durante os últimos anos vigiou um importante grupo de reféns".
O ministro explicou que os reféns estão divididos em três grupos, pelo que o Exército, graças a agentes infiltrados, fez passar uma mensagem de que Alfonso Cano, o novo líder das FARC, ordenara que os reféns fossem levados à sua presença e que para isso deveriam ser reunidos num determinado ponto de Guaviare.
Um helicóptero militar camuflado, com agentes dos serviços secretos militares a bordo, deslocou-se depois para o local de reunião, com o pretexto de recolher os reféns. Os guerrilheiros que acompanhavam os detidos "foram imediatamente neutralizados", incluindo um operacional conhecido como "César", alegadamente o chefe dos carcereiros.
O responsável garantiu que não foi efectuado qualquer disparo e que, em nenhum momento da operação, a segurança dos reféns foi posta em causa.
Não poupando elogios aos seus efectivos, o ministro da Defesa afirmou que esta foi uma operação "sem precedentes" que "ficará na história "pela sua audácia e eficácia".
(Última actualização às 22h51)
domingo, junho 22, 2008
Mudar de Vida
O jornal popular Mudar de Vida já vai na sua 8ª edição.
Do site do jornal:
MUDAR DE VIDA é um jornal político popular que se edita em dois suportes: internet e papel. Um primeiro número experimental, em papel, foi amplamente divulgado no 25 de Abril e no 1.º de Maio de 2007; e, em 30 de Maio, foi distribuído um suplemento dedicado à greve geral. A edição de papel sai com regularidade mensal a partir da primeira semana de Outubro de 2007. Os nossos propósitos estão expressos no estatuto editorial que a seguir se publica. Sem suportes financeiros, sem estrutura partidária que o apoie, MUDAR DE VIDA depende inteiramente, desde a nascença, do acolhimento que encontrar. A todos fazemos um apelo. Enviem-nos críticas e sugestões. Se se sentirem cativados, colaborem na divulgação junto de colegas, amigos, vizinhos. E se acharem que este projecto vale a pena, façam uma assinatura.
Redacção: Cristina Meneses, João Bernardo, José Mário Branco, Manuel Raposo, M. Gouveia, Pedro Goulart Colaboradores: António Louçã, Cândido Guedes, Carlos Simões, Eugénio Silva, Rita Moura, Manuel Monteiro, Renato Teixeira, Rui Pereira, Urbano de Campos Cartune: Manuel da Palma Site: David Raposo"
E quem quiser a última edição em pdf, aqui está ela.
Do site do jornal:
"Acerca do MV
Equipa
Redacção: Cristina Meneses, João Bernardo, José Mário Branco, Manuel Raposo, M. Gouveia, Pedro Goulart Colaboradores: António Louçã, Cândido Guedes, Carlos Simões, Eugénio Silva, Rita Moura, Manuel Monteiro, Renato Teixeira, Rui Pereira, Urbano de Campos Cartune: Manuel da Palma Site: David Raposo"
E quem quiser a última edição em pdf, aqui está ela.
sexta-feira, junho 20, 2008
Queres marcar golos ao Ricardo?
Então estuda muito, para seres alguém na vida. Estuda o golo da Grécia na final de 2004. Estuda os dois ontem da Alemanha, tudo igual. Tudo.
A defesa tem destas coisas. Aqueles cruzamentos, dizem os laterais e os centrais, pertencem mais aos guarda-redes. Atacante que fuja da marcação, ou entra em fora-de-jogo ou, caso contrário, e num cruzamento, se o defesa não interceptar, cabe ao guarda-redes sair ao cruzamento.
Ricardo saiu, sim senhor. Caricato, no golo de Ballack, punhos cerrados como habitualmente, aqueles braços ridiculamente esticados e o corpo absurdamente hirto mergulhando para baixo.
Essa deselegância dos punhos fechados e dos braços hirtos, até a aceitava bem se funcionasse. Mas, caramba! Quantas vezes a defesa passou por calafrios cada vez que a bola era socada para a frente e para baixo, ou seja, em direcção aos pés dos avançados contrários?
Mas não vejo ninguém a apontar dedos ao senhor Ricardo.
E se em vez do Ricardo fosse outro qualquer a fazer os mesmissimos erros? Tinha a Cruz à espera!
Ricardo goza de um estatuto que eu não compreendo no futebol português em âmbito de selecção.
Porque no campeonato doméstico, toda a gente sabia o que ele valia. Em Espanha, toda a gente sabe o que ele vale, e por isso não é titular.
Ricardo surge em número um na baliza da Selecção por questões única e exclusivamente políticas.
Scolari é teimoso para umas coisas, mas nunca o é para quem lhe dá o dinheiro a ganhar.
Baía foi, em 2004, considerado o melhor guarda-redes da Europa. A final da Liga dos Campeões contra o Mónaco começou a ser ganha, por exemplo, com uma saída de Baía fora da grande-área, desarmando com os pés o atacante monegasco. Não é qualquer guarda-redes que tem sangue frio para uma coisa destas. Baía saía elegantemente a qualquer cruzamento, impondo a sua graciosidade, a sua força, a sua capacidade de elevação, a sua raça. Baía continua a ser o jogador de futebol de toda a história do futebol com mais títulos ganhos. Cada ano que jogou, ganhou sempre alguma coisa.
Scolari podia teimar contra a FPF, em 2004, para chamar o Baía à Selecção. Mas preferiu teimar contra a realidade e apoiar a FPF nos seus intuitos de se vingar do jogador por este ter sido testemunha abonatória de alguém com contencioso com a FPF num processo judicial. Decisões políticas.
Scolari foi teimoso ao contrário, porque o verdinho é muito bom. Venha a nós.
Scolari continuou a teimar por esses anos fora. Deixando, por exemplo, Maniche este ano em casa. O resultado foi o que se viu: equipa sem Deco e sem Ronaldo não funciona, não há ninguém que transporte a bola no meio campo, com força ou táctica. Achou que era com Moutinhos que lá ia... Sinceramente, até acho que o JVP, embora a acenar aos 40, até teria sido uma melhor escolha táctica.
Scolari foi teimoso ao negar coisas que absurdamente toda a gente viu. Agressões a jogadores, má educação, falta de carácter.
Foi teimoso a defender os "mininos" da imprensa. Não foi teimoso em manter a sua posição limpa no que toca aos seus próprios contratos. Tal como Ricardo, Scolari goza de um estatuto incompreensível na Selecção, apesar de toda a gente saber que tudo o que ele faz, desde vociferar o hino, beijar a bandeira, defender os "mininos", foi única e exclusivamente por dinheiro.
Desculpem o desabafo. Não escrevi isto por estar aborrecido com o afastamento da Selecção. Para mim esse facto foi-me indiferente, como o é desde que saiu a convocatória para o Euro 2004. Escrevi porque achei que era a altura certa, a altura em que a Selecção pode voltar a ser a de todos nós. (Tenho as minhas dúvidas, mas guardo uma pequena esperança).
A defesa tem destas coisas. Aqueles cruzamentos, dizem os laterais e os centrais, pertencem mais aos guarda-redes. Atacante que fuja da marcação, ou entra em fora-de-jogo ou, caso contrário, e num cruzamento, se o defesa não interceptar, cabe ao guarda-redes sair ao cruzamento.
Ricardo saiu, sim senhor. Caricato, no golo de Ballack, punhos cerrados como habitualmente, aqueles braços ridiculamente esticados e o corpo absurdamente hirto mergulhando para baixo.
Essa deselegância dos punhos fechados e dos braços hirtos, até a aceitava bem se funcionasse. Mas, caramba! Quantas vezes a defesa passou por calafrios cada vez que a bola era socada para a frente e para baixo, ou seja, em direcção aos pés dos avançados contrários?
Mas não vejo ninguém a apontar dedos ao senhor Ricardo.
E se em vez do Ricardo fosse outro qualquer a fazer os mesmissimos erros? Tinha a Cruz à espera!
Ricardo goza de um estatuto que eu não compreendo no futebol português em âmbito de selecção.
Porque no campeonato doméstico, toda a gente sabia o que ele valia. Em Espanha, toda a gente sabe o que ele vale, e por isso não é titular.
Ricardo surge em número um na baliza da Selecção por questões única e exclusivamente políticas.
Scolari é teimoso para umas coisas, mas nunca o é para quem lhe dá o dinheiro a ganhar.
Baía foi, em 2004, considerado o melhor guarda-redes da Europa. A final da Liga dos Campeões contra o Mónaco começou a ser ganha, por exemplo, com uma saída de Baía fora da grande-área, desarmando com os pés o atacante monegasco. Não é qualquer guarda-redes que tem sangue frio para uma coisa destas. Baía saía elegantemente a qualquer cruzamento, impondo a sua graciosidade, a sua força, a sua capacidade de elevação, a sua raça. Baía continua a ser o jogador de futebol de toda a história do futebol com mais títulos ganhos. Cada ano que jogou, ganhou sempre alguma coisa.
Scolari podia teimar contra a FPF, em 2004, para chamar o Baía à Selecção. Mas preferiu teimar contra a realidade e apoiar a FPF nos seus intuitos de se vingar do jogador por este ter sido testemunha abonatória de alguém com contencioso com a FPF num processo judicial. Decisões políticas.
Scolari foi teimoso ao contrário, porque o verdinho é muito bom. Venha a nós.
Scolari continuou a teimar por esses anos fora. Deixando, por exemplo, Maniche este ano em casa. O resultado foi o que se viu: equipa sem Deco e sem Ronaldo não funciona, não há ninguém que transporte a bola no meio campo, com força ou táctica. Achou que era com Moutinhos que lá ia... Sinceramente, até acho que o JVP, embora a acenar aos 40, até teria sido uma melhor escolha táctica.
Scolari foi teimoso ao negar coisas que absurdamente toda a gente viu. Agressões a jogadores, má educação, falta de carácter.
Foi teimoso a defender os "mininos" da imprensa. Não foi teimoso em manter a sua posição limpa no que toca aos seus próprios contratos. Tal como Ricardo, Scolari goza de um estatuto incompreensível na Selecção, apesar de toda a gente saber que tudo o que ele faz, desde vociferar o hino, beijar a bandeira, defender os "mininos", foi única e exclusivamente por dinheiro.
Desculpem o desabafo. Não escrevi isto por estar aborrecido com o afastamento da Selecção. Para mim esse facto foi-me indiferente, como o é desde que saiu a convocatória para o Euro 2004. Escrevi porque achei que era a altura certa, a altura em que a Selecção pode voltar a ser a de todos nós. (Tenho as minhas dúvidas, mas guardo uma pequena esperança).
domingo, junho 08, 2008
Estamos vivos!
Há pessoas que lêem o nosso blog. Ontem tivemos um comentário a um post de Fevereiro de 2005.
quarta-feira, junho 04, 2008
Não por decreto!
"Palavras cria-as o tempo e o tempo as mata..."
José Cardoso Pires, in "O Delfim"
A perversão básica do novo acordo ortográfico está no facto de que é a maneira como se fala que condicionará a maneira como se escreve. Assim tem sido ao longo de todo o desenvolvimento das línguas e dialectos. Os portugueses pariram o português da mistura do latim com o suevo e com o árabe e sabe-se lá que mais palreares que por aqui pulularam em tempos idos. Passámos a escrever em português porque o latim, morto e enterrado, começava a ser língua snob a tresandar a sacristia.
O português soube mudar por si só, vivo e arisco, somando-se de novos vocábulos, mudando as letras ao sabor do marear da fala. Perdemos pê-agás de pharmácia depois de termos desusado a botica. Reinventámo-nos nos irrealismos de África quando os ritmados irmãos dançaram com as nossas línguas e nos deram novos mundos, que abalaram para o Brasil e aí fundaram a nação das nações do português.
Mas nós aqui vivemos no rectângulo do Eça. Do Pessoa e do Camões. Do Ary, do Eugénio, do Saramago. Nós aqui mudamos a nossa própria língua quando ano após ano, uma nova palavra, nova maneira de escrever, começa a pular de boca em boca, de folha em folha, de teclado em teclado, saindo para o meio da rua como o povo em vésperas de São João.
Temo, com um temor de expatriado, que ao ser decretada uma nova e estranha língua, seja ela a ditar como nós falaremos ao invés de sermos nós a deixar que ela mude.
Não hei-de escrever as minhas caras ou baratas palavras de forma diversa do que faço agora, se isso me for imposto por decreto. A minha pátria é a Língua Portuguesa, e dela não abdico por uma ditadura de ímpios e estranhos contornos economicistas.
Venham acordos e decretos, que cá estarei de facto. Venham novos correctores ortográficos subverter os computadores, que penas, lápis, aparas, o botão direito do rato e a opção "ignorar" cá estarão para lhes fazer frente. Comigo, o novo acordo não passará.
Mudarei o que falo e o que escrevo quando a Língua, viva e livre, assim o decidir, e nunca deixarei que ela parta agrilhoada num navio negreiro para o Brasil.
O português soube mudar por si só, vivo e arisco, somando-se de novos vocábulos, mudando as letras ao sabor do marear da fala. Perdemos pê-agás de pharmácia depois de termos desusado a botica. Reinventámo-nos nos irrealismos de África quando os ritmados irmãos dançaram com as nossas línguas e nos deram novos mundos, que abalaram para o Brasil e aí fundaram a nação das nações do português.
Mas nós aqui vivemos no rectângulo do Eça. Do Pessoa e do Camões. Do Ary, do Eugénio, do Saramago. Nós aqui mudamos a nossa própria língua quando ano após ano, uma nova palavra, nova maneira de escrever, começa a pular de boca em boca, de folha em folha, de teclado em teclado, saindo para o meio da rua como o povo em vésperas de São João.
Temo, com um temor de expatriado, que ao ser decretada uma nova e estranha língua, seja ela a ditar como nós falaremos ao invés de sermos nós a deixar que ela mude.
Não hei-de escrever as minhas caras ou baratas palavras de forma diversa do que faço agora, se isso me for imposto por decreto. A minha pátria é a Língua Portuguesa, e dela não abdico por uma ditadura de ímpios e estranhos contornos economicistas.
Venham acordos e decretos, que cá estarei de facto. Venham novos correctores ortográficos subverter os computadores, que penas, lápis, aparas, o botão direito do rato e a opção "ignorar" cá estarão para lhes fazer frente. Comigo, o novo acordo não passará.
Mudarei o que falo e o que escrevo quando a Língua, viva e livre, assim o decidir, e nunca deixarei que ela parta agrilhoada num navio negreiro para o Brasil.
quinta-feira, maio 29, 2008
Mais uma jogada suja

Tudo bem que devemos cumprir metas na redução de dióxido de carbono, evitar poluentes e melhorar a qualidade do ar nas nossas cidades. Mas não à custa do empobrecimento de todos nós, da míngua da economia e, claro está, do enriquecimento dos barões das petrolíferas à giza de especulação.
Por isso acha o Governo, e muito bem, que não deve interferir nos preços ao reduzir os impostos. Não é de taxas que se fazem os preços destes produtos, mas sim de pura demagogia financeira.
A mim não me apanham mais a abastecer nas bombas dos três grandes mafiosos.
Por isso acha o Governo, e muito bem, que não deve interferir nos preços ao reduzir os impostos. Não é de taxas que se fazem os preços destes produtos, mas sim de pura demagogia financeira.
A mim não me apanham mais a abastecer nas bombas dos três grandes mafiosos.
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